Obrigada por ser a pior versão de si mesmo.

Ainda ontem lembrei de você. Queria dizer que foi uma daquelas lembranças gostosas que nos pegam de surpresa, trazidas por uma música boa ou uma imagem fofa, dessas que vem com um gostinho de quero mais, como uma saudade de algo que foi bom e passou…mas não. Aquela lembrança foi uma mistura de tristeza com alívio. Foi ao te ver em uma foto com outra menina e não sentir nada além de uma sensação de déjà vu, sabe? Do tipo “eu já estive no lugar dela”.
Se duvidar, eu posso ditar exatamente como você age com ela, a final suas atitudes imaturas são como uma receita de bolo seguida religiosamente a anos; sei de cor aquele mesmo discurso patético de ser só amigo, mas depois como quem não quer nada, sugerir benefícios, e aí quando conseguir, jogar a perguntar inocentes: você não vai contar pra suas amigas, vai?
Ah, você nunca muda! Foi assim comigo, com aquela minha amiga que veio antes de mim, lembra daquela minha prima de terceiro grau?! Com ela também foi o mesmo papo, com aquela minha colega do cursinho que mesmo depois de eu ter alertado insistiu que com ela era diferente… mas eu não posso culpa-la. Não posso porque eu mesma já tinha me sentido assim, claro que na época não tinha ninguém pra me avisar sobre o quão nocivo você era, mas talvez se tivesse eu também não teria dado ouvidos, assim como ela não me deu. Sempre tem aquela ex que tenta previnir e a gente, que arrogante, trata mal achando que é recalque, coisa de “quem perdeu”. Será que a gente é ingênua de mais ou você que é um ótimo ator? Eu aposto na segundo opção, porque te conheço e sei que você também se conhece, sabe como a história vai terminar e não é capaz de ser homem o suficiente pra nos dizer isso e deixar que a gente escolha se quer seguir esse caminho, não, você prefere iludir, fingir sentimentos, vender uma realidade que não existe, nos faz achar que com a gente vai ser diferente, faz a gente se apaixonar e no fim das contas trata exatamente igual a todas as outras.

Naquele dia, vendo aquela foto e todas as coisas ao redor, eu queria e te confesso que tentei com todas as minhas forças acreditar, até torcer para que com ela seja diferente, pra que aquela pobre menina tenha algum poder sobre os teus sentimentos. Não que eu te deseje felicidade, e mesmo que fosse, pessoas que espalham tanto sofrimento como você não merecem e nunca vão consegui atraia alguma felicidade, mas eu torci por ela, pelo brilho dos olhos de quem não tem culpa e nem faz ideia da pessoa de quem está do lado. Foi pelo pesar de não ver mais um coração partido pelas atitudes inconsequentes e egoístas. Mas no fundo, lá no fundo eu via a cena se repetir exatamente igual a tantas outras que eu vivi: você, bêbado, ela sóbria tentando te levar pra casa, você reluta, diz que quer ir ao banheiro e meia hora depois está aos beijos com outra no meio das pista. Ah, pobre garota… eu juro que quando lembrei disso e o sangue ferveu nas minhas veias eu pensei em fazer o papel cansativo da ex “recalcada” e tentar alertar, mas também sabia qual seria a reação e que ela, assim como eu, precisava aprender sozinha.
Talvez aquela teoria de que pessoas ruins são necessários nas nossas vidas seja realmente verdade e todo o mal que você faz a tanta pessoas seja só uma forma de ajuda-las a evoluir, crescer. Quem sabe você seja uma dessas pessoas e viva unicamente com o propósito de partir corações para que pessoas boas aprendam a concerta-lo. Sendo assim acho que te devo um obrigada, né?! Até porque, se não fosse por você eu ainda seria aquela adolescente imatura e tola.
É, até pode ser que na melhor das hipóteses, mesmo com tanta maldade você acaba fazendo bem, mas isso não te torna menos digno de pena.

Cedo ou tarde a maturidade vem…

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Roberta Macedo- Cedo ou tarde a maturidade vem….

É… e depois de muitas noitadas, chegou uma hora em que eu me cansei da fase de curtição. O espirito inconseqüente e ansioso se aquietou. E embora eu sempre tenha tido muita cede de viver, conhecer, descobrir, eu comecei a perceber que para aproveitar a vida intensamente eu não precisava fazer varias loucuras em uma noite só, e que embora isso faça parte, também existe intensidade na calmaria. De repente, era como se aquela garota imatura e sorridente que bebia até cair sem se importar com nada, puxava assunto com todo mundo que se aproximava e estava sempre rodeada de gente, não fosse mais a mesma que eu via refletida no espelho.

Comecei a ficar mais seletiva.  Aquele grupinho de amigos, as piadinhas, a zoeira, não pareciam mais tão divertidos e eu me sentia deslocada. Passar o fim de semana de ressaca por uma noite de bebedeira não valia mais tanto a pena, e não demorou para eu trocar as baladinhas por noites regadas a uma boa conversa olhando as estrelas na sacada. Substituí o copo de vodka pela taça de vinho. Os papos chatos por um bom livro.  A ansiedade pela prática da paciência. Aquelas dez amigas parceiras que sempre estavam comigo nas festinhas, logo foram se tornando sete, depois cinco, três… e no fim das contas, percebi que só tinha uma ou duas.

Aos poucos, fui me cercando apenas do que me fazia bem e me deixava em paz. Me livrei de tudo aquilo que, de alguma forma, me distanciavam da pessoa que eu queria me tornar. Finalmente criei coragem para dar um fim as relações mal estabelecidas e cheias de inseguranças que se arrastavam na minha vida. Decidi tirar um tempo pra mim. Para me conhecer, me questionar. Para descobrir o que gosto de fazer e o que faço por conveniência. Pra diferenciar prioridade do que é descartável, e pra saber se gosto das que tenho ou se é melhor estabelecer outras. Sensatez, clareza, plenitude foram consequência. Claro que festas, farra, bebidas, fizeram parte de um período muito importante e feliz  que eu vivi, e vivi muito bem, obrigada! Mas foi só isso, um período. Algo passageiro, momentâneo, um círculo que devia, e foi encerrado.

A verdade é que hora ou outra, a medida em que o tempo passa e vida acontece, inevitavelmente a maturidade vem. Assim, de supresa e sem pedir licença. Vem pra te agregar. Pra te ensinar que não adianta só crescer por fora, a gente tem que crescer por dentro também. Pra te mostrar que a questão não é parar de curtir, nem curtir loucamente, mas alcançar o equilíbrio entre as duas coisas.
Que a vida não para e você também não pode, mas que ela muda e se adaptar é muito mais divertido do que insistir na que passou. Sei bem que no futuro, quando chegar no tão falado “lá”- que eu ainda  não sei onde é, mas que pretendo descobrir em breve -essa fase vai passar e outra vira. Eu não espero estar pronta, porque nunca estamos, de fato, prontos para o novo. Tudo que não é famíliar da medo e causa receio. Isso é normal e no fim é o que da graça a coisa. Também não espero ter experiência para saber lidar com a situação, porque não importa o quanto a gente viva e o que conheça, sempre haverá o desconhecido para se explorar. Mas eu espero, com todo medo e incerteza, estar sempre aberta a tudo que vier. Amém!

O espeço que é teu

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portrait-1579025_640Hoje, depois de muitos meses, eu acordei com você na cabeça. No despertador, o toque sereno de “Dancing On My Own” não ajudou muito. Fiquei um pouco na cama lembrando de quando aquele espaço era ocupado por nós dois…   A letra iniciou, e junto com ela  as lágrimas que começaram a dançar sobre o meu rosto acompanhando a melodia.

“Somebody said you got a new friend But does she love you better than I can? There’s a big black sky over my town I know wjere you’re at, I bet she’s around…”
Aos poucos as lembranças tomaram conta de mim, o soluço foi inevitável, assim como a vontade de gritar. Não é sempre que isso acontece. Não mais. No começo eu fiquei realmente mal, tentei esperar o tempo resolver as coisas, e não vou negar que nutri esperanças de você voltar, de receber uma ligação sua no meio da noite dizendo que estava errado, que se arrependeu de tudo que me disse e que foi um erro se afastar. Meu coração chegava a acelerar toda vez que recebia uma chamada desconhecida no celular, mas como alguém que é acordada de um sonho bom com um balde de água gelada, desanimava, o coração desacelerava e a tristeza tomava conta do resto do meu dia sempre que ouvia uma voz diferente da sua do outro lado da linha. Com o passar do tempo isso foi se tornando cada vez menos frequente, hoje eu já consigo atender com uma certeza quase absoluta de que não será você.
Acho que enfim entrei no processo de aceitação, dizem que essa é a última fase da superação do fim de um relacionamento, luto e outros momentos difíceis, vem logo depois da negação, raiva, barganha, e da depressão -embora ache um pouco dramático de mais- estou certa de que já passei pela maioria, senão por todas elas. Não que eu tenha deixado de te amar, porque cenas como a de hoje ainda se repetem vez ou outra, mas eu diria que estou fazendo o que posso para seguir em frente, e isso já é um grande passo. Não abro mais suas redes sociais durante a noite pra ver se você está feliz sem mim, e mesmo você não acreditando, eu nunca desejei o contrário. Joguei suas roupas que ainda estavam aqui no lixo, apaguei nossas fotos, seu contato e as nossas conversas no celular. Agora só restam as lembranças, aquelas das quais só o tempo e as doses de vodka serão capazes de se encarregar. Não tenho esperanças de te esquecer completamente ou chegar em uma fase de conseguir cruzar com você na rua e não sentir nada, não sou tão evoluída. Também sei que em algum momento você vai conhecer alguém, talvez melhor do que eu e mais capaz de te fazer feliz, e eu terei que lidar com isso, mesmo não sabendo como.  Mas desejo um dia poder te olhar nos olhos e não te culpar e nem sentir raiva por você ter desistido de nós, dizer que não te quero mal e que nossos bons momentos estão eternizados dentro de mim.
Uma vez li que quando você perde uma pessoa que ama muito, mesmo superando e seguindo em frente, de alguma forma você sempre vai sentir falta dela, e no fundo, acho que deve ser verdade.
Quando você foi embora, aquele espaço que era seu ficou vazio e pareceu muito maior, por muito tempo ele se tornou um fardo, algo que me afetava e me fazia mal. Tentei de todas as formas prenche-lo; outros rosto, outras bocas, outros vazios, mas hoje eu vejo que ele já tem dono e mesmo que você nunca volte a ocupa-lo, ele sempre será seu.
Sempre será o lugar onde você se abrigou e por muito tempo fez morada; decorou, pendurou sentimentos, alegrias, e coloriu com suas cores favoritas. E por hora a única coisa que me resta é aprender a conviver com com ele e aceitar  o fato de que por mais felizes e plenos que tenham sido nosso momentos juntos, eles estão no passado e devem permanecer lá.