Nota

Você não é amigo, você é irmão.

Existem pessoas que entram nas nossas vidas como que por uma coincidência, quase que sem querer. Que no começo parecem ser apenas mais uma em meio a tantas outras iguais. Mas que diariamente nos fazem rir, chorar, chorar de tanto rir. Pessoas com as quais discutimos por bobagem, conversamos coisas que para os outros parecem sem sentido.Que aos poucos, sem que a gente perceba, passam a ocupar um espaço cada vez maior no nosso coração e na nossa vida. Com você foi assim.  Eu ainda me lembro como se fosse hoje; era uma tarde nublada de sexta feira, eu tinha acabo de enfrentar um dos momentos mais difíceis da minha vida e precisava ficar sozinha. Então fui até uma praça vazia, sentei em um dos bancos, e fiquei olhando pro céu tão escuro que parecia refletir meus sentimentos. Até então só nos conhecíamos de vista, e eu me lembro de sempre te ver sorrindo. Mas naquele dia as coisas também não estavam muito boas pra você, porquê você se sentou ali do meu lado e não precisou perguntar nada pra saber o que fazer, como se visse o que eu sentia. Você me olhou de lado como quem diz ” olha aqui meu ombro, pode deitar”. E apesar de ser um tanto quanto cética, naquele instante, enquanto sentia a sua cabeça  recostadas na minha e chorava feito uma criança no ombro de um estranho, eu tive uma certeza que carrego comigo até hoje: ninguém cruza nosso caminho por acaso. 

Falando desse jeito parece loucura, bobagem, coisa de gente fantasiosa, mas só quem tem ou já teve um amigo assim sabe o quão necessário esse laço  é e da força que nos dá. Poucas coisas na vida são tão reconfortantes quanto  a certeza de ter alguém  que te cuida. Alguém com quem você sabe poder contar independente das adversidades. Alguém que te ajude a segurar aquela barra, ou que simplesmente te diga que tudo bem você soltar se tiver pesada de mais. Alguém que traga comida quando você mandar uma mensagem dizendo que está com fome (mesmo que seja um saco de amendoim). Alguém pra quem ligar as duas da manhã propondo uma loucura que ninguém mais no mundo toparia. Alguém que te diz pra meter o louco mesmo porquê se nada der certo ela vai estar ali pra  passar por cima do errado contigo.  Alguém que te da a mão, o braço, metade do peito se precisar. É esse alguém que você deve amar e cuidar sempre e acima de tudo. Porquê é ele quem vai estrar la quando mais ninguém estiver, nem você mesmo. É ele que mesmo te amando enxergara  teus defeitos e vai ser capaz de te amar ainda mais com eles.

E como você enxerga, hein… Nossa, é impressionante como você sempre tá certo em relação aqueles carinhas que eu insisto em querer e você diz que são furada. As expectativas bobas. Aos dramas desnecessários. Você também tava certo quando dizia que a gente era alma gêmea no sentido mais fraternal da coisa. Não é atoa que eu te chamo de irmão. Quantas vezes eu já não molhei tua camisa inteira enxugando minhas lagrimas e tu encheu meus ouvidos com os mesmos avisos super protetores de sempre. quantas vezes te fiz virar a noite ouvindo meus dramas -logo você que gosta tanto de dormir-. Quantas namoradas você já dispensou porquê não gostavam de mim. Quantas vezes já bati na tua porta só pra te dar um “oi”, perguntar como ia a  vida. É lindo, né? como a gente se cuida e ta disposto a largar tudo ao menor sinal de problema que outro mostrar. Isso pra não falar do nosso super-poder secreto; aquela telepatia infalível de saber exatamente o que o outro ta pensando só pelo olhar.

Tu foi, é e sempre será uma das partes mais bonitas da minha existência. Obrigada por me ensinar o que é amor. Por me apresentar um dos sentimentos mais nobres que somos capazes de ter por alguém: a amizade. Obrigar por me dar conselhos mesmo sabendo que eu não seguiria. Por ver a melhor versão de mim, até quando ela não existia. Por dar tanto de forma tão gratuita. Obrigada por me ensinar que tudo e principalmente todos tem uma missão na nossa vida. E a  tua, com certeza foi de me mostrar que Deus sabe exatamente do que a gente precisa. E que algumas vezes, ele coloca pessoas na nossa vida porquê sabe que certos momentos são feitos para serem compartilhados.

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Você é o pior que eu preciso superar para que o melhor possa vir

Tá bom, eu admito que gosto quando você vem atrás de mim, mesmo sabendo que é só porquê aquela mina que cê gosta não te deu atenção. Eu gosto quando você me liga fazendo ceninha de ciúmes por causa de um comentário bobo numa foto qualquer, mesmo eu não tendo os mesmos direitos quando é o contrário. Eu gosto de sentir o medo na sua voz quando eu fico fria e ameaço ir embora, mesmo que nem eu acredite nisso de verdade. Eu gosto de sentir, mesmo que por um segundo, que você se importa, que sente minha falta, que aquelas coisas que você me disse eram da boca pra fora e eu sou importante. Que eu sou mais pra você do que um plano b, uma válvula de escape pra quando nada mais der certo, mesmo sabendo que é exatamente isso que eu sou.

Lá no fundo, eu sei que se você sentisse algo por mim de verdade não teria escolhido ir embora, e que todas essas merdas que você diz é por saber que eu não tenho coragem de fazer o mesmo. Sei que esse seu apego não passa de posse, birra, pirraça de um cara mimado de mais pra abrir mão de um brinquedinho que saber ter nas mãos. Sei que esse amor que você declara nas horas de carência é só fingimento. Mas o problema é que você finge bem de mais e quando se está acostumada a tantas mentiras mal contadas, isso é mais que suficiente. Um “sinto sua falta” as três da manhã e a minha cabeça viaja sonhando com a possibilidade de ver um “fica comigo” ao acordar de manhã.
Tu curti minha foto e eu já tô lá, toda boba achando que você se interessa. Uma simples resposta no Snapchat e eu fico rindo o resto do dia, mas se tu não visualiza é como se o sol nem tivesse aparecido.

Parece tolice, e é, mas quando a gente tá apaixonado até um emoji de coração pode nos levar ao céu ou ao inferno dependendo da cor. E quando se trata de nós então, tudo faz diferença, tudo tem significado, tudo importa, mas só pra mim. Pra você é banal, insignificante, e eu fico aqui sentindo em dobro pra tampar o buraco que você faz, iludida, tentando me convencer de que isso é suficiente, mesmo sabendo que nunca vai ser por mais que eu queira.

Não ache que eu te culpo por isso, porquê você nunca me obrigou a ficar, pelo contrário, você sempre fez questão de dizer o quanto eu estar ou não aqui não fazia a mínima diferença(ainda que fosse pra provocar). Você é um babaca sim, por não saber o que quer, por sempre voltar quando vai embora, por dizer mentiras pra me fazer sentir bem, mas mesmo assim eu quero estar aqui, e ninguém pode  julgar uma pessoa que já apanhou tanto da verdade por escolher viver uma mentira cômoda.
Ao mesmo tempo eu tenho esperança que você faça uma merda tão grande que eu chegue no meu limite e dê um basta em tudo. Mas eu sinto que ainda não cheguei nesse limite, que posso aguentar mais, e só isso que ainda me mantém aqui, apanhando, sofrendo. Talvez eu precise passar pelo pior pra então perceber que é hora de buscar o melhor, um melhor que eu sei que você nunca vai ser.

Nota

Criem suas filhas e filhos para serem como Maísa.

Primeiramente, Silvio Santos não é o mostro da história, -claro que ele tem sua porcentagem de culpa-, mas chega a ser absurdo julgar um homem de oitenta e seis anos por demonstrar um comportamento, no mínimo, conservador. Aliás, eu sou capaz de apostar que aos seus dezenove anos, provavelmente menos, alguém cobrou dele a mesma masculinidade que ele exigia de Dudu Camargo em seu programa.

Dudu, por sua vez, também não é o maior culpado, e creio que não é a primeira vez que o garoto tem sua sexualidade brutalmente posta a prova.
Claro que intimidar uma menina de forma tão abusiva é um comportamento injustificável e que merece sim ser criticado, mas dá forma correta.

Não é tão fácil quanto parece ser um garoto de dezenove anos em uma sociedade opressora como a nossa. A puberdade masculina é também é cercada de cobranças machistas por todos os lados, e sim, o machismo também oprime homens.

Eu não estou dizendo que os homens são tão vítimas quanto nós e nem que o comportamento machista da grande maioria é justificável. Mas arrisco dizer que muitas das atitudes abusivas e agressivas que Dudu Camargo demonstrou, se deram para esconder sua insegurança, e toda essa necessidade de auto afirmação masculina não existiria se ele tivesse tido uma educação como a de Maísa, -que não pode, nem deve passar despercebida-, e sua sexualidade e liberdade respeitadas.

Maísa é uma menina de quinze anos que também não teve sua sexualidade e liberdade respeitadas e ao se ver em uma situação machista, fez o que sua criação lhe ensinou  ser o certo: se colocou de forma segura, imponente e confiante(coisa que não é nada fácil). Ciente de que merecia mais respeito e consideração tanto por parte do patrão, quanto do colega, em nenhum momento se deixou dominar por nenhum dos dois. Repito: É UMA MENINA SE QUINZE ANOS.

Enquanto Dudu, é um rapaz de dezenove que posto em uma situação igualmente machista fez o que sua criação lhe ensinou ser certo: escondeu a fragilidade atrás do machismo. 

Moral da história:

Pra cada Maísa empoderada existe um Dudu inseguro que vai oprimi-la pra se  sentir superior. Não adianta persistir em ensinar só mulheres a se defenderem do machismo.

Nota

Obrigada por ser a pior versão de si mesmo.

Ainda ontem lembrei de você. Queria dizer que foi uma daquelas lembranças gostosas que nos pegam de surpresa, trazidas por uma música boa ou uma imagem fofa, dessas que vem com um gostinho de quero mais, como uma saudade de algo que foi bom e passou…mas não. Aquela lembrança foi uma mistura de tristeza com alívio. Foi ao te ver em uma foto com outra menina e não sentir nada além de uma sensação de déjà vu, sabe? Do tipo “eu já estive no lugar dela”.
Se duvidar, eu posso ditar exatamente como você age com ela, a final suas atitudes imaturas são como uma receita de bolo seguida religiosamente a anos; sei de cor aquele mesmo discurso patético de ser só amigo, mas depois como quem não quer nada, sugerir benefícios, e aí quando conseguir, jogar a perguntar inocentes: você não vai contar pra suas amigas, vai?
Ah, você nunca muda! Foi assim comigo, com aquela minha amiga que veio antes de mim, lembra daquela minha prima de terceiro grau?! Com ela também foi o mesmo papo, com aquela minha colega do cursinho que mesmo depois de eu ter alertado insistiu que com ela era diferente… mas eu não posso culpa-la. Não posso porque eu mesma já tinha me sentido assim, claro que na época não tinha ninguém pra me avisar sobre o quão nocivo você era, mas talvez se tivesse eu também não teria dado ouvidos, assim como ela não me deu. Sempre tem aquela ex que tenta previnir e a gente, que arrogante, trata mal achando que é recalque, coisa de “quem perdeu”. Será que a gente é ingênua de mais ou você que é um ótimo ator? Eu aposto na segundo opção, porque te conheço e sei que você também se conhece, sabe como a história vai terminar e não é capaz de ser homem o suficiente pra nos dizer isso e deixar que a gente escolha se quer seguir esse caminho, não, você prefere iludir, fingir sentimentos, vender uma realidade que não existe, nos faz achar que com a gente vai ser diferente, faz a gente se apaixonar e no fim das contas trata exatamente igual a todas as outras.

Naquele dia, vendo aquela foto e todas as coisas ao redor, eu queria e te confesso que tentei com todas as minhas forças acreditar, até torcer para que com ela seja diferente, pra que aquela pobre menina tenha algum poder sobre os teus sentimentos. Não que eu te deseje felicidade, e mesmo que fosse, pessoas que espalham tanto sofrimento como você não merecem e nunca vão consegui atraia alguma felicidade, mas eu torci por ela, pelo brilho dos olhos de quem não tem culpa e nem faz ideia da pessoa de quem está do lado. Foi pelo pesar de não ver mais um coração partido pelas atitudes inconsequentes e egoístas. Mas no fundo, lá no fundo eu via a cena se repetir exatamente igual a tantas outras que eu vivi: você, bêbado, ela sóbria tentando te levar pra casa, você reluta, diz que quer ir ao banheiro e meia hora depois está aos beijos com outra no meio das pista. Ah, pobre garota… eu juro que quando lembrei disso e o sangue ferveu nas minhas veias eu pensei em fazer o papel cansativo da ex “recalcada” e tentar alertar, mas também sabia qual seria a reação e que ela, assim como eu, precisava aprender sozinha.
Talvez aquela teoria de que pessoas ruins são necessários nas nossas vidas seja realmente verdade e todo o mal que você faz a tanta pessoas seja só uma forma de ajuda-las a evoluir, crescer. Quem sabe você seja uma dessas pessoas e viva unicamente com o propósito de partir corações para que pessoas boas aprendam a concerta-lo. Sendo assim acho que te devo um obrigada, né?! Até porque, se não fosse por você eu ainda seria aquela adolescente imatura e tola.
É, até pode ser que na melhor das hipóteses, mesmo com tanta maldade você acaba fazendo bem, mas isso não te torna menos digno de pena.

Nota

Cedo ou tarde a maturidade vem…

É… e depois de muitas noitadas, chegou uma hora em que eu me cansei da fase de curtição. O espirito inconseqüente e ansioso se aquietou. E embora eu sempre tenha tido muita cede de viver, conhecer, descobrir, eu comecei a perceber que para aproveitar a vida intensamente eu não precisava fazer varias loucuras em uma noite só, e que embora isso faça parte, também existe intensidade na calmaria. De repente, era como se aquela garota imatura e sorridente que bebia até cair sem se importar com nada, puxava assunto com todo mundo que se aproximava e estava sempre rodeada de gente, não fosse mais a mesma que eu via refletida no espelho.

Comecei a ficar mais seletiva.  Aquele grupinho de amigos, as piadinhas, a zoeira, não pareciam mais tão divertidos e eu me sentia deslocada. Passar o fim de semana de ressaca por uma noite de bebedeira não valia mais tanto a pena, e não demorou para eu trocar as baladinhas por noites regadas a uma boa conversa olhando as estrelas na sacada. Substituí o copo de vodka pela taça de vinho. Os papos chatos por um bom livro.  A ansiedade pela prática da paciência. Aquelas dez amigas parceiras que sempre estavam comigo nas festinhas, logo foram se tornando sete, depois cinco, três… e no fim das contas, percebi que só tinha uma ou duas.

Aos poucos, fui me cercando apenas do que me fazia bem e me deixava em paz. Me livrei de tudo aquilo que, de alguma forma, me distanciavam da pessoa que eu queria me tornar. Finalmente criei coragem para dar um fim as relações mal estabelecidas e cheias de inseguranças que se arrastavam na minha vida. Decidi tirar um tempo pra mim. Para me conhecer, me questionar. Para descobrir o que gosto de fazer e o que faço por conveniência. Pra diferenciar prioridade do que é descartável, e pra saber se gosto das que tenho ou se é melhor estabelecer outras. Sensatez, clareza, plenitude foram consequência. Claro que festas, farra, bebidas, fizeram parte de um período muito importante e feliz  que eu vivi, e vivi muito bem, obrigada! Mas foi só isso, um período. Algo passageiro, momentâneo, um círculo que devia, e foi encerrado.

A verdade é que hora ou outra, a medida em que o tempo passa e vida acontece, inevitavelmente a maturidade vem. Assim, de supresa e sem pedir licença. Vem pra te agregar. Pra te ensinar que não adianta só crescer por fora, a gente tem que crescer por dentro também. Pra te mostrar que a questão não é parar de curtir, nem curtir loucamente, mas alcançar o equilíbrio entre as duas coisas.
Que a vida não para e você também não pode, mas que ela muda e se adaptar é muito mais divertido do que insistir na que passou. Sei bem que no futuro, quando chegar no tão falado “lá”- que eu ainda  não sei onde é, mas que pretendo descobrir em breve -essa fase vai passar e outra vira. Eu não espero estar pronta, porque nunca estamos, de fato, prontos para o novo. Tudo que não é famíliar da medo e causa receio. Isso é normal e no fim é o que da graça a coisa. Também não espero ter experiência para saber lidar com a situação, porque não importa o quanto a gente viva e o que conheça, sempre haverá o desconhecido para se explorar. Mas eu espero, com todo medo e incerteza, estar sempre aberta a tudo que vier. Amém!

Nota

O espeço que é teu

Hoje, depois de muitos meses, eu acordei com você na cabeça. No despertador, o toque sereno de “Dancing On My Own” não ajudou muito. Fiquei um pouco na cama lembrando de quando aquele espaço era ocupado por nós dois…   A letra iniciou, e junto com ela  as lágrimas que começaram a dançar sobre o meu rosto acompanhando a melodia.

“Somebody said you got a new friend But does she love you better than I can? There’s a big black sky over my town I know wjere you’re at, I bet she’s around…”
Aos poucos as lembranças tomaram conta de mim, o soluço foi inevitável, assim como a vontade de gritar. Não é sempre que isso acontece. Não mais. No começo eu fiquei realmente mal, tentei esperar o tempo resolver as coisas, e não vou negar que nutri esperanças de você voltar, de receber uma ligação sua no meio da noite dizendo que estava errado, que se arrependeu de tudo que me disse e que foi um erro se afastar. Meu coração chegava a acelerar toda vez que recebia uma chamada desconhecida no celular, mas como alguém que é acordada de um sonho bom com um balde de água gelada, desanimava, o coração desacelerava e a tristeza tomava conta do resto do meu dia sempre que ouvia uma voz diferente da sua do outro lado da linha. Com o passar do tempo isso foi se tornando cada vez menos frequente, hoje eu já consigo atender com uma certeza quase absoluta de que não será você.
Acho que enfim entrei no processo de aceitação, dizem que essa é a última fase da superação do fim de um relacionamento, luto e outros momentos difíceis, vem logo depois da negação, raiva, barganha, e da depressão -embora ache um pouco dramático de mais- estou certa de que já passei pela maioria, senão por todas elas. Não que eu tenha deixado de te amar, porque cenas como a de hoje ainda se repetem vez ou outra, mas eu diria que estou fazendo o que posso para seguir em frente, e isso já é um grande passo. Não abro mais suas redes sociais durante a noite pra ver se você está feliz sem mim, e mesmo você não acreditando, eu nunca desejei o contrário. Joguei suas roupas que ainda estavam aqui no lixo, apaguei nossas fotos, seu contato e as nossas conversas no celular. Agora só restam as lembranças, aquelas das quais só o tempo e as doses de vodka serão capazes de se encarregar. Não tenho esperanças de te esquecer completamente ou chegar em uma fase de conseguir cruzar com você na rua e não sentir nada, não sou tão evoluída. Também sei que em algum momento você vai conhecer alguém, talvez melhor do que eu e mais capaz de te fazer feliz, e eu terei que lidar com isso, mesmo não sabendo como.  Mas desejo um dia poder te olhar nos olhos e não te culpar e nem sentir raiva por você ter desistido de nós, dizer que não te quero mal e que nossos bons momentos estão eternizados dentro de mim.
Uma vez li que quando você perde uma pessoa que ama muito, mesmo superando e seguindo em frente, de alguma forma você sempre vai sentir falta dela, e no fundo, acho que deve ser verdade.
Quando você foi embora, aquele espaço que era seu ficou vazio e pareceu muito maior, por muito tempo ele se tornou um fardo, algo que me afetava e me fazia mal. Tentei de todas as formas prenche-lo; outros rosto, outras bocas, outros vazios, mas hoje eu vejo que ele já tem dono e mesmo que você nunca volte a ocupa-lo, ele sempre será seu.
Sempre será o lugar onde você se abrigou e por muito tempo fez morada; decorou, pendurou sentimentos, alegrias, e coloriu com suas cores favoritas. E por hora a única coisa que me resta é aprender a conviver com com ele e aceitar  o fato de que por mais felizes e plenos que tenham sido nosso momentos juntos, eles estão no passado e devem permanecer lá.